Tuesday, June 24, 2008

O ESTADO DA NAÇÃO - EDUCAÇÃO

Temos ouvido, desde há longos anos a esta parte, a lengalenga esquerdóide de que o País, eu prefiro a Nação, ainda não conseguiu evoluir devido à longa noite fascista, que teve como consequência o estado de quase indigência de Portugal ao nível da educação.
Trinta e quatro anos passados sobre o fim do antigo regime, tenho para mim que o País, nesta matéria, não progrediu, antes regrediu.
É um facto que mais e mais pessoas tiveram acesso ao ensino, em todas as suas fases, e que o número de licenciados aumentou exponencialmente. Mas também é um facto que a quantidade não teve o seu reflexo em termos de qualidade, antes pelo contrário.
Na verdade, é notória a falta de conhecimento das gerações que nasceram com a revolução, seja ao nível da escrita seja ao nível da clareza de raciocínio e da capacidade de expor de forma sistematizada as ideias (que, diga-se de passagem, são de uma mediocridade quase atávica).
Tudo isto se deve ao fracasso do regime na prossecução do almejado estado de graça em termos educacionais.Mas também o regime pós 25 de Abril tudo fez para que isso acontecesse. Foram políticas sucessivamente alteradas ao sabor da segunda cor que, alternada e sucessivamente, ocupava a cadeira da 5 de Outubro, já que a primeira se instalou de armas e bagagens no dia 26 de Abril e não mais arredou pé.
A troco do conceito adulterado de democratização do ensino, criou-se um exército de licenciados de má qualidade sem grande capacidade de entrar no mercado de trabalho devido, por um lado à má qualidade da sua formação, muita das vezes forçada, devido à falta de vocação do aluno para o curso que o obrigaram a frequentar e, por outro, ao desajustamento dos cursos à realidade económica da Nação.
E, alegremente, fomos persistindo no erro, exaurindo o erário público num experimentalismo dispendioso e inconsequente.
E, entretanto, consciente e deliberadamente extinguiram-se os cursos médios, verdadeiro ninho de vocações, na esmagadora maioria das vezes ajustados ao mercado de trabalho e que permitiram a tantos e tantos progredirem profissionalmente.
Porém, eram diferenciadores, palavra que foi abolida do léxico pós-abriliano que preferiu introduzir o conceito contra natura da igualdade.

Oiço agora o senhor director do Ministério da Educação responsável pela realização dos testes vir mostrar-se ofendido na sua dignidade por as pessoas – Professores e alunos – entenderem que os testes de Matemática foram fáceis de mais.

Se os visados assim acham e o referido senhor Director não concorda com eles, só lhe resta demitir-se. Faça-o e já ou então aprenda a conviver com a crítica e interiorize que podem haver opiniões diversas e mais válidas que as nossas.

Reitero que a cor da unicidade se instalou na 5 de Outubro desde o dia 26 de Abril e acrescento que as pessoas partidárias dessa cor sempre conviveram mal com a crítica e com a diversidade seja de opiniões seja, aliás, do que quer que seja.

1 comment:

Unknown said...

Touché. Ou melhor: na mouche!Faltou talvez a alusão à doentia e irrealista necessidade de atingir metas, escalões, comparações e outros "PERCENTIS" que foram instituidos e existem como referências e não como ditames legais e cegos. Muitos licenciados? Não sei. Muitos títulos academicos(?), mas de licenciaturas que os próprios não sabem para que servem e, quiçá as próprias faculdades que os credenciaram também não. A alusão ao esquerdismo não me parece necessária. A valia do comentário reside em si própria, não carece de adverbios nem de adjectivação. Continuo a achar que a publicação em blog limita o alcance e o universo dos destinatários. É preciso ir mais longe!!!