Muito se tem falado e escrito sobre a crise económica, com o mais recente epicentro na especulação em torno do custo do petróleo, o que me motiva a debitar alguns caracteres sobre uma outra crise, não menos importante: A Crise do Chá ou, em abono do rigor, a Crise da Falta de Chá (CFC).
Tal como acontece com a utilização do CloroFluorCarboneto, que partilha a mesma sigla, parece consensual que o excesso de CFC é a todos os títulos nefasto, contribuindo na primeira versão para o aquecimento global e na segunda, no meu modesto entender, para a total degradação do ser humano, das suas interacções e, por consequência, da sociedade.
A educação começa – ou deveria começar – na mais tenra idade, em casa mas também nas escolas, sendo possivelmente esta constatação que esteve também na origem da expressão “tomar chá em pequenino”. Acrescentaria que, não menos importante, seria que o hábito deste “tomar chá” se perpetuasse ao longo da vida das pessoas, apurando o gosto, o paladar e o conhecimento que, naturalmente, poderia então ser transmitido para a geração seguinte.
A vivência do dia a dia mostra, porém, que existe efectivamente uma crise de falta de chá, cuja origem não consigo todavia descortinar. Dos mais pequenos gestos aos mais evidentes exemplos, é notório o desinvestimento que tem sido feito no consumo deste bem, que reputo de primeira necessidade.
Não me considerando um ultra intolerante nesta matéria, confesso contudo que me choca e entristece o atropelo das mais básicas regras de boa educação. O respeito por compromissos de horários parece coisa do passado; a devolução de uma chamada, cumprimento ou voto, seja de que natureza for, parece ultrapassada; a deferência (não confundir com subserviência) para com as hierarquias, sejam nas relações familiares, sociais ou profissionais, parece não mais existir. E muitos mais exemplos poderia citar, sem sequer entrar no domínio daquelas regras, porventura mais aprimoradas, que faziam a diferença entre o que chamávamos “um Senhor” e o mais civilizado dos arruaceiros. O cavalheirismo, por seu lado, parece hoje sinónimo de um qualquer conceito que só existe nos compêndios de História Antiga. A sociedade, alheada que já está de toda a sorte de princípios, revela-se também desprovida da elementar “boa educação”.
Este é um flagelo que atravessa transversalmente todas as origens e classes, o que equivale a dizer que o nivelamento se tem feito por baixo. O dinheiro, neste caso, pouco importa, até porque num passado não muito longínquo era efectivamente mais comum encontrar em todas as classes, pese embora eventuais diferenças de expressão, sinais claros de boa educação e bons princípios. Infelizmente na história recente muitos evoluíram na dimensão das bolsas, mas não na dimensão humana.
Demitiram-se os pais e as famílias desta tarefa? Demitiram-se os professores desta missão? Demitiu-se a sociedade de si mesma? Falta Chá a Portugal, sobra pelos vistos o vinho a martelo.
Thursday, July 31, 2008
Wednesday, July 2, 2008
O MITO DO EMPREGO
Desde o início da legislatura de Sócrates, em Março de 2005, que a taxa de desemprego em Portugal cresceu 0,4pp, passando dos 7,2% registados no 2º trimestre daquele ano para os 7,6% contabilizados no 1º trimestre de 2008.
Estes são dados do INE, oficiais. Não pretendo discutir aqui as razões, tão somente recordar que, enquanto candidato às eleições, era este mesmo Sócrates o porta-estandarte do emprego, lubridiando a Nação com a promessa de 150.000 novos postos de trabalho durante o seu mandato, promessa que de resto reafirmou no início deste ano, ao anunciar que teriam já sido criados 94.000 nos três primeiros anos da legislatura.
“Esquecia-se”, porém, de que as contas do desemprego se fazem não só com a criação mas também com a destruição de postos de trabalho, sendo ainda necessário ter em consideração a variação da população activa no mesmo período. Ou seja, 150.000 postos de trabalho pode ser muito ou muito pouco, não passa de um número que pouco significado tem por si só (e resta saber se são conseguidos).
São inúmeras as análises que se podem fazer das estatísticas, mas destaco uma: a percentagem de desempregados com ensino superior passou de 4,3% para 6,8%... o que diz muito sobre o futuro dos que saem das faculdades, e reforça o que nos escreveu o Lucas no último post sobre o que estamos a fazer com a educação neste País.
Aos governos, entendo eu, compete a criação das condições para que os privados possam gerar emprego. Este (também) não o tem feito, e continua sem o fazer, como se tornou evidente com a aprovação de um novo pacote laboral que continua a sofrer do estigma da pós-revolução. Protege-se uma utopia, trava-se a iniciativa, porque ainda não perceberam estas criaturas que só pela facilidade de desempregar se pode empregar. Por outro lado, compete aos Governos racionalizar a sua administração. Também este não o fez, nem o faz, continuando o peso da função pública a exceder largamente o que Portugal precisaria e suportaria. Pelo contrário, anunciam-se com pompa a criação de 10.000 novos postos de trabalho social, em boa parte com o apoio de dinheiros públicos. Certamente serão necessários, mas não seria melhor apostar na transferência de serviços onde continuam a ser claramente excedentários??? Enfim... com a aproximação de eleições, preferem as socráticas criaturas anunciar investimentos públicos sem fim, betão e mais betão, que certamente terão o seu impacto nas contas do INE como convém a quem sonha segurar-se no Poder. E quem paga a factura?
Estes são dados do INE, oficiais. Não pretendo discutir aqui as razões, tão somente recordar que, enquanto candidato às eleições, era este mesmo Sócrates o porta-estandarte do emprego, lubridiando a Nação com a promessa de 150.000 novos postos de trabalho durante o seu mandato, promessa que de resto reafirmou no início deste ano, ao anunciar que teriam já sido criados 94.000 nos três primeiros anos da legislatura.
“Esquecia-se”, porém, de que as contas do desemprego se fazem não só com a criação mas também com a destruição de postos de trabalho, sendo ainda necessário ter em consideração a variação da população activa no mesmo período. Ou seja, 150.000 postos de trabalho pode ser muito ou muito pouco, não passa de um número que pouco significado tem por si só (e resta saber se são conseguidos).
São inúmeras as análises que se podem fazer das estatísticas, mas destaco uma: a percentagem de desempregados com ensino superior passou de 4,3% para 6,8%... o que diz muito sobre o futuro dos que saem das faculdades, e reforça o que nos escreveu o Lucas no último post sobre o que estamos a fazer com a educação neste País.
Aos governos, entendo eu, compete a criação das condições para que os privados possam gerar emprego. Este (também) não o tem feito, e continua sem o fazer, como se tornou evidente com a aprovação de um novo pacote laboral que continua a sofrer do estigma da pós-revolução. Protege-se uma utopia, trava-se a iniciativa, porque ainda não perceberam estas criaturas que só pela facilidade de desempregar se pode empregar. Por outro lado, compete aos Governos racionalizar a sua administração. Também este não o fez, nem o faz, continuando o peso da função pública a exceder largamente o que Portugal precisaria e suportaria. Pelo contrário, anunciam-se com pompa a criação de 10.000 novos postos de trabalho social, em boa parte com o apoio de dinheiros públicos. Certamente serão necessários, mas não seria melhor apostar na transferência de serviços onde continuam a ser claramente excedentários??? Enfim... com a aproximação de eleições, preferem as socráticas criaturas anunciar investimentos públicos sem fim, betão e mais betão, que certamente terão o seu impacto nas contas do INE como convém a quem sonha segurar-se no Poder. E quem paga a factura?
Subscribe to:
Posts (Atom)