O título deste escrito pode parecer um engano, pela repetição que aparentemente contém.
Não é, infelizmente, um engano!
Faz este ano trinta e seis anos que foram derrubados o regime e sistema político totalitários existentes em Portugal desde 28 de Maio de 1926.
O 25 de Abril pretendeu criar um País mais moderno, mais igual, mais justo, em que as pessoas singrassem pelo seu mérito, pelo seu valor. Em suma, pretendeu-se transformar Portugal numa democracia ocidental.
Conseguiu-se?
Parece-me que o insucesso do 25 de Abril está patente.
É certo que houve alguma progressão ao nível das chamadas liberdades individuais, maxime a liberdade de expressão e de intervenção política.
Mas parece-me que se esgotaram aqui as virtualidades da Revolução dos Cravos ( flor linda à qual a conexão com a revolução retirou para sempre, em Portugal , o brilho).
A nossa Pátria, a Nação Portuguesa, por mais que nos custe, do ponto de vista do desenvolvimento, nas suas mais diversas vertentes, económico, cultural, social, regrediu e essa regressão culminou na situação de quase falência em que nos encontramos.
Mas, o mais grave é que essa quase falência económica é acompanhada, senão mesmo precedida, a par e passo, pela falência educacional, da justiça e social. Tenho para mim que a situação pré-falimentar é mera consequência, porque o que lhe está subjacente é a falta de sustentabilidade do modelo de desenvolvimento que temos seguido.
Como já tenho tido a oportunidade de escrever, um modelo apoiado no Estado – maior empregador, maior consumidor – além de desresponsabilizar os cidadãos e as empresas, desvirtua o mercado, não fomenta a concorrência, cria o imobilismo, gera a corrupção, vive ao sabor das conveniências da classe política no poder em cada momento, serve estratégias imediatistas, tira visão de Estado e de futuro às decisões.
E têm sido estas as maleitas de que padece o nosso País desde há 36 anos.
Não se pretende com isto contrapor a bondade do denominado antigo regime, nem é isso que está em causa.
O que se pretende, deliberadamente, é realçar que a Revolução dos Cravos falhou ao desconstruir a ideia de Pátria que existia em Portugal, substituindo-a por outra que perdeu o sentido de Estado e de Nação como entidade impoluta cujo único desiderato é o de satisfazer as necessidades dos seus concidadãos e assegurar o seu desenvolvimento de forma sustentada e em estrita obediência dos mais sãos princípios, garantindo a perenidade de Portugal como País independente.
Temos, deste modo de reconstruir o ideal de Portugal, devolver o País aos cidadãos, fazendo-os voltar a ter confiança na Nação, fazê-los voltar a ter orgulho em serem Portugueses.
Penso que tal só se pode conseguir reduzindo drasticamente o papel do Estado na sociedade, retirando-lhe protagonismo, capacidade de intervenção e atribuir-lhe apenas e tão somente o papel de regulador da actividade dos particulares e das empresas.
A ficção que foi o denominado Estado Social, anti-natura e por isso de péssimas consequências que estamos agora a sofrer na pele, tem de dar lugar a um Estado que permita e fomente a afirmação dos seus cidadãos, sem restrições, sem tutela, sem custos de contexto, leia-se burocracia, em suma um Estado Liberal.
Só assim poderemos, com orgulho, voltar a falar da Pátria porque só assim esta nos será devolvida.
by Lucas
Sunday, May 23, 2010
Subscribe to:
Posts (Atom)