Desde o início da legislatura de Sócrates, em Março de 2005, que a taxa de desemprego em Portugal cresceu 0,4pp, passando dos 7,2% registados no 2º trimestre daquele ano para os 7,6% contabilizados no 1º trimestre de 2008.
Estes são dados do INE, oficiais. Não pretendo discutir aqui as razões, tão somente recordar que, enquanto candidato às eleições, era este mesmo Sócrates o porta-estandarte do emprego, lubridiando a Nação com a promessa de 150.000 novos postos de trabalho durante o seu mandato, promessa que de resto reafirmou no início deste ano, ao anunciar que teriam já sido criados 94.000 nos três primeiros anos da legislatura.
“Esquecia-se”, porém, de que as contas do desemprego se fazem não só com a criação mas também com a destruição de postos de trabalho, sendo ainda necessário ter em consideração a variação da população activa no mesmo período. Ou seja, 150.000 postos de trabalho pode ser muito ou muito pouco, não passa de um número que pouco significado tem por si só (e resta saber se são conseguidos).
São inúmeras as análises que se podem fazer das estatísticas, mas destaco uma: a percentagem de desempregados com ensino superior passou de 4,3% para 6,8%... o que diz muito sobre o futuro dos que saem das faculdades, e reforça o que nos escreveu o Lucas no último post sobre o que estamos a fazer com a educação neste País.
Aos governos, entendo eu, compete a criação das condições para que os privados possam gerar emprego. Este (também) não o tem feito, e continua sem o fazer, como se tornou evidente com a aprovação de um novo pacote laboral que continua a sofrer do estigma da pós-revolução. Protege-se uma utopia, trava-se a iniciativa, porque ainda não perceberam estas criaturas que só pela facilidade de desempregar se pode empregar. Por outro lado, compete aos Governos racionalizar a sua administração. Também este não o fez, nem o faz, continuando o peso da função pública a exceder largamente o que Portugal precisaria e suportaria. Pelo contrário, anunciam-se com pompa a criação de 10.000 novos postos de trabalho social, em boa parte com o apoio de dinheiros públicos. Certamente serão necessários, mas não seria melhor apostar na transferência de serviços onde continuam a ser claramente excedentários??? Enfim... com a aproximação de eleições, preferem as socráticas criaturas anunciar investimentos públicos sem fim, betão e mais betão, que certamente terão o seu impacto nas contas do INE como convém a quem sonha segurar-se no Poder. E quem paga a factura?
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