Saturday, October 24, 2009
A DIFERENÇA DA IDEOLOGIA
O actual espectro político nacional vai da extrema-esquerda, encapotada, representada pelo BE, passando pelos ortodoxos do PC e acabando nos supostamente adeptos da doutrina social da Igreja representados pelo CDS/PP.
Pelo meio fica o caldeirão onde tudo cabe, esvaziado ideologicamente, navegando à bolina, sem outra estratégia que não seja a de satisfazer os interesses dos acomodados ao modelo social europeu, que apenas vêm o Estado como cobertura e tábua de salvação para as suas ineficiências, como a panaceia para todos os males, desconstruindo uma realidade colectiva, na qual cada um dos cidadãos é peça fundamental.
É gritante, para não dizer chocante, a falta de ideologia que grassa no País, a qual tem a sua expressão máxima na falta de princípios e de coerência nas estratégias que os decisores políticos adoptam e que afectam cada um de nós.
Mas mais gritante é o aparente desfasamento da realidade que se pressente no Povo organizado no Estado. O que vemos é um povo apolítico, amoral, ideologicamente amorfo, destituído de vontade, de querer, sem ambição, que imputa responsabilidades mas não as assume, que se desmarca de toda e qualquer decisão, como não lhe tivesse sido dada a possibilidade de escolher os decisores.
O Povo limita-se a votar parecendo que o faz apenas para alijar a carga de responsabilidade que intrinsecamente tem.
Não será estranho a este comportamento o facto de a classe política, ao longo dos anos, ter trabalhado sistematicamente numa perspectiva de colectivo em detrimento do individual, numa perspectiva de Estado remédio em detrimento do estímulo da capacidade que cada um de nós tem para, de per si, superar obstáculos e que é inata ao homem.
Para tal massificou-se, regulamentou-se tudo e todos e impuseram-se comportamentos. Despromoveu-se o Homem da sua individualidade em favor do Homem amparado, estribado, enquadrado, ideologicamente neutro, cioso do seu bem-estar ainda que à custa do colectivo e por isso artificial, e completamente alheado e alienado em relação aos reais problemas da sociedade, já que “eles é que têm de resolver o problema”.
Como é bom de ver, este paradigma é completamente pernicioso para uma sociedade, para uma Nação e é o fautor principal do deficit estrutural do País em variadíssimos domínios.
Ao longo de mais de um século e principalmente nos últimos três decénios, foi-se progressivamente aniquilando a chamada ideologia liberal de forma sibilina e capciosa já que para tal se prometeu e foi-se concedendo um conjunto de benesses que foram calando consciências e metamorfoseando um Povo.
Urge, deste modo, fazer renascer o espírito inconformista, reformador, individualista – embora regulado, que tem sido desde os primórdios da humanidade a base do desenvolvimento sustentado dos povos.
by Lucas
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