Alguém se lembra do barril de petróleo a 14 dólares? Eu não, e acredito que muitos também não se lembrarão, porque estávamos no final da década de 70 e praticamente isto não era tema de discussão (nem de preocupação) para o comum dos mortais.
Depois veio a invasão do Irão pelo Iraque, em 1980. Com a baixa de produção destes dois países o preço do barril atingiu os 35 dólares por barril e começaram as preocupações.. nem tudo foram más notícias, o mundo despertou para a necessidade de procurar alternativas; Mas o consumo de crude reduziu-se de tal forma que deu origem ao crash de 86. Os preços cairam e a produção voltou a aumentar. Com a redução de preços em pano de fundo, eis que o Iraque decide invadir o Kuweit numa desesperada tentativa para controlar aquele país produtor. Deu no que todos sabemos e, apesar de uma subida temporária, os preços baizaram a níveis recorde. Tempos de calma até à crise nos mercados asiáticos, no final da década de 90, que levaram os tigres a reduzirem o consumo e os preços do petróleo a manterem-se em baixa. Entretanto o gigante adormecido da Rússia acorda, aumenta a produção e com isso pressiona o mercado, ao mesmo tempo que a economia americana entra em crise. O 11 de Setembro de 2001 fica gravado na história e os preços não mais deixam de subir. Em 2003 dá-se a invasão do Iraque pelos americanos. A produção de toda a zona do Golfo sofre uma vez mais uma redução que se prolonga no tempo. Em 2006 já o barril se transaccionava a 78 dólares. Dois anos depois, em Janeiro de 2008, o crude chegava pela primeira vez na História aos 100 dólares. Hoje está a quase 140. Porquê? A Ásia voltou à corrida, com um desenvolvimento que obriga a consumos nunca antes vistos, as reservas norte-americanas baixaram de níveis, a tensão no Médio Oriente aumentou.. enfim.. são múltiplos factores e não parece existir uma resposta única.
Consenso existe, sim, relativamente às perspectivas. A maioria dos analistas defende que dificilmente o petróleo voltará a níveis anteriores. Os tempos são pois de mudança e, mais do que lamentar, impera a necessidade de entender este novo paradigma, ajustar, adaptar e encontrar a melhor solução para se viver no mundo em que vivemos. E aos Governos compete assegurar, ou contribuir, para que esta adaptação se faça acompanhada com medidas positivas de incentivo ao mercado e às empresas (e não subsídios) e prevenir, na raiz, também pela positiva, as tensões sociais que necessariamente vão/estão a ocorrer. Tudo o mais parece uma perda de tempo.
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